Resido num bairro pequeno, moro numa rua grande, vivo numa casa ao meu tamanho. A convivência entre vizinhos é tal que conhecemo-los pelas alcunhas ou até pelos nomes dos os animais domésticos, principalmente os cães.
De há um tempo para cá que, nas manhãs de fim de semana, a comissão de moradores se reúne numa mata contígua, transformada em parque de merendas, para durante meia hora praticar, essa arte milenar desenvolvida em surdina contida no recato lacaio de cada qual. Ele há quem corra, há quem fuja e o nosso grupo, que se espreguiça.
Descobrimos a Espriguiçoterapia fotossintética e trouxemo-la para a rua, exibindo-a sem qualquer pudor aos que passam e nos tecem comentários tendenciosos que só nos incentivam, e tirando um ou outro menos formado que nos cospe, tudo é ordeiro.
A dilatação muscular inicia-se com um abrir de braços. Ampliamo-nos e extravasamos toda a elasticidade permitida pelos limites de cada um e damos o nosso melhor.
Culminamos com uma enorme espreguiçadela geral em simultâneo com um bocejo colectivo enquanto a sr.a que canta pan pipes, munida da sua flauta, desfecha com o hino da comissão local:
“eu tenho ramos e estico-os”.
In "a mareação no eucaliptal"
cap. 4 : "espreguiçadeira de menage"
apoio: Dica da Semana
Volto já